Monick Pereira de Araújo dos Santos

Meu nome é Monick, o mesmo da arquiteta — uma mulher que desenhava em linhas retas o que o meu pai realizava com concreto. Esse nome-destino me influenciou desde cedo: técnico de edificações, técnico em restauro, mas, da arquitetura, me afastei. Descobri que minha argamassa era o léxico. Meus alicerces eram feitos de ritmo e metáfora: o poético.

Fiz Letras Português e Literatura Portuguesa. Encontrei o terreno firme onde pude edificar sentidos. Mais tarde, em Mariana, as pedras antigas apareceram no meu caminho, me reconectaram com o nome que carrego, apresentando o poeta-engenheiro.

O mestrado me levou ao pernambucano que calculava o verso com o rigor de quem mede o engenho do canavial. De Cabral, aprendi o gesto exato: unir o esquadro às letras, alinhar a métrica à poética, como quem constrói uma ponte entre a precisão e o abstrato.

E assim sigo: arquitetando as palavras, aprendiz de pontes, erguendo entre poesia e pensamento a casa onde habita meu nome.

Títulos

Um sujeito guenzo

O livro Um sujeito guenzo é resultado de pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos da Linguagem, vinculado ao Departamento de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Para se ter uma boa ideia do seu conteúdo, vale ler o comentário de Wilberth Salgueira, que está na quarta capa e segue reproduzido abaixo.

“Quando “guenzo” aparece no esplendoroso poema “Descoberta da literatura”, o adjetivo indica algumas acepções do termo – “magro, fraco” –, pois se refere ao cordel, ao “romance de barbante”, ao “folheto guenzo” que o outrora menino lia e explicava aos trabalhadores do engenho: estes, “ouviam o folheto guenzo, / a seu leitor semelhante”, e os leitores do poema percebemos que guenzo se refere também ao próprio menino.

A pesquisa de Monick dos Santos nos dá a ver de que modo esse aspecto físico (da finura do cordel) vai se estender a um modo poético (e refinado) de pensar o mundo, haja vista que guenzo significa, suplementar, “fora do prumo, torto” – similar ao gauche do amigo itabirano. Monick, fazendo jus à limpidez e precisão da dicção cabralina, identifica, a partir de primorosas análises de poemas, como se constituiu esse “sujeito guenzo”, autor de A escola das facas, mergulhando na decifração de elementos biográficos na obra do recifense, e lançando mão, inclusive, de materiais auto/biográficos e memorialistas, como entrevistas, depoimentos e afins.

João Cabral e sua severa obra contam com a admiração quase consensual da crítica brasileira. Talvez, contudo, precisem chegar, com sabor mais palatável, a um público mais amplo. Assim, à maneira daquele menino lendo e explicando a outros a beleza da literatura, esse livro de Monick redescobre um Cabral a contrapelo de Cabral: lírico, intimista, pessoal. Duvidam? Confiram!”

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