Já comentei aqui que eu e meu parceiro, Victor Batista, criamos seis (das dez) canções do álbum Calango no Congo, que, como você sabe, vai chegar às plataformas digitais em maio agora.
Dessa meia dúzia de canções que fizemos juntos, duas vieram à mesa em confabulações presenciais (e etílicas) no decurso da inspiradora residência artística que nos foi oferecida pelo Sítio Alegria Alegria.
Outras três dessas canções partiram da minha pena (no Word, claro) e foram encontrar seus correspondentes melódicos (em pleno cerrado do planalto central brasileiro) no braço da viola caipira desse (inventivo) parceiro.
Mas só uma das canções que criamos fez o caminho inverso:
partiu de Pirenópolis, GO (a bordo do WhatsApp) numa mensagem de áudio com o solo ligeiro nas cordas da viola desse goiano-mineiro:
era a Pedra Menina.
Talvez você me pergunte:
vem cá, quando ela zarpou (no Zap) de lá de Goiás, ela já era a Pedra Menina ou ela recebeu essa identidade capixaba depois que pisou em solo espírito-santense?
Vou confessar: eu, que andava então circulando com uma alegre menina pelas cercanias do Caparaó, ao ouvir aquela provocação musical rápida e divertida (porém inominada) que o Victor enviara, me lembrei (de cara!) dessa vila e da boa vida que vinha vivendo (em românticas vivendas) por ali.
Aí (seguindo o solo da viola do amigo) escrevi:
Pedra Menina
(com Victor Batista)
Na Pedra Menina, menina fui te encontrar,
na Pedra Menina, menina fui te encontrar:
vi uma turmalina brilhando no teu olhar!
A poesia é minha sina,
menina pra que garimpar,
se eu já tenho essa mina
na menina do teu olhar?
Procurando essa pedra, menina cheguei aqui.
Vindo das serras de Minas, por pouco não me perdi.
Até que na Pedra Menina, menina dei de encontrar
essa rara turmalina-felina do teu olhar.
Agora que achei essa mina,
descobri o meu lugar:
na vila de Pedra Menina,
menina, eu vou me casar.